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"Humanizar não diz respeito apenas ao trato do paciente, refere-se também a todas as pessoas que entram em contato com ele: médicos, enfermeiros, atendentes, nutricionistas, pessoal do corpo administrativo, enfim, todos que fazem parte desta grande comunidade que é o hospital. São pessoas que também são afetadas por um enrijecimento que, através dos anos, imobilizaram perspectivas, sentimentos e emoções. A humanização da Saúde é um trabalho fundamental e necessário. Todos são elementos-chave de uma rede que perde a sustentação se algum deles falhar.
Em 2001, quando se comemorou o Ano Internacional do Voluntário, a Associação Viva e Deixe Viver foi convidada pelo Instituto Brasil Voluntário para representar a Saúde, no calendário da ONU. Foi o início de um envolvimento, ainda mais profundo, da entidade na promoção da Humanização da Saúde pelo país. No mês de abril deste mesmo ano, foi realizado o primeiro Congresso de Humanização em Debate. Nos anos seguintes, já foram realizados os Congressos de Humanização da Saúde em Ação. Desde o primeiro evento foram notórios os altos índices de problemas na área da saúde, como a corrupção e desvio de dinheiro e como a introdução sem cautela da alta tecnologia, que quando não inserida com cuidado gera um afastamento do contato humano.
Com a maior conscientização dos seus direitos, a sociedade passou a cobrar do governo, por meio de fóruns, conferências e debates, um atendimento de qualidade em seus hospitais. Não basta ter a melhor tecnologia e equipes de alto padrão. Não bastam arquitetura avançada e paredes coloridas se o paciente continuar a ser apenas uma doença. Ainda em 200l, atendendo a esse chamado, e baseado em todos esses debates, o governo, através de Medida Provisória, instituiu o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH), projeto de humanização da atenção e da gestão em saúde, que passou a ser uma política nacional e recebeu a denominação de HumanizaSUS em 2003.
O fator principal por ter pensado em fundar uma ONG foi ter olhado para o mercado da saúde e percebido que dentro desse espaço, de dor e sofrimento, havia possibilidade de levar mais informação. Nós falamos de Humanização Hospitalar quando não deveríamos precisar falar, principalmente num lugar onde humano cuida de humano e que já está estabelecido que as pessoas precisam estar mais atentas e serem mais carinhosas. Ainda há muito trabalho a ser feito e é fundamental que nós, que atuamos dentro de hospitais e temos como missão promover o entretenimento, cultura e informação educacional através do estímulo da leitura e do brincar, visando transformar a internação hospitalar em um momento mais alegre e agradável, trabalhemos para a construção de um país que ofereça um atendimento médico de qualidade, digno, caloroso e com respeito ao ser humano", segundo Valdir Cimino, diretor fundador da Associação Viva e Deixe Viver, que há tempos atua como contador de histórias e promove ações e eventos focados na Humanização da Saúde. |